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Português europeu

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Português Europeu
Falado em Portugal e Macau.
Total de falantes: cerca de 15 milhões [1]
Estatuto oficial
Controlado pela Academia de Ciências de Lisboa
Principal responsável pela divulgação mundial
Instituto Camões
Dicionários
Dicionário da Academia de Ciências de Lisboa: 70 mil
Dicionário Porto Editora (2008): 243.000
Dicionário Universal da Língua Portuguesa [2]
Dicionário Lello [3]

O português europeu, português lusitano[4] ou português de Portugal é um conjunto de variedades linguísticas da língua portuguesa faladas em Portugal continental, nas suas regiões autónomas (Madeira e Açorese pelos emigrantes portugueses espalhados por todo o mundo, que engloba os seus dialectos regionais bem como a sua ortografia, o seu vocabulário e a sua gramática. O galego pode ou não ser considerado como parte dos dialectos portugueses.

De acordo com a legislação da União Europeia, o português é uma das línguas oficiais da União, pelo que em textos internacionais deverá ser usada a norma europeia[5]. Também é ensinado em Espanha, sobretudo na zona da Extremadura, dada a proximidade daquela região a Portugal.

Na ausência de normas-padrão próprias, os outros países lusófonos (com excepção do Brasil) seguem as convenções da norma portuguesa. A chamada variedade padrão do português europeu é constituída pelo "conjunto dos usos linguísticos das classes cultas da região Lisboa-Coimbra"[6]. O português europeu é regulado pela Academia de Ciências de Lisboa[7].

Índice

[editar] Fonologia

[editar] Fonética

Fonética do Português Europeu [8]

cer

[editar] Dialectos

Como é sabido, todas as línguas naturais mudam e apresentam variação interna de acordo com a localização geográfica ou o estatuto social dos seus falantes. Em termos de fonologia, dentro do território nacional português existem diversas variações da pronúncia do português: os dialectos. [9]

Os dialectos não são muito diferentes entre si.

Dialectos de Portugal
  1. Açoriano (ouvir) - Açores
  2. Alentejano (ouvir) - Alentejo
  3. Algarvio (ouvir) - Algarve (há um pequeno dialecto na parte ocidental)
  4. Alto-Minhoto (ouvir) - Norte de Braga (interior)
  5. Baixo-Beirão; Alto-Alentejano (ouvir) - Centro de Portugal (interior)
  6. Beirão (ouvir) - centro de Portugal
  7. Estremenho (ouvir) - Regiões de Coimbra e Lisboa (pode ser subdividido em lisboeta e coimbrão)
  8. Madeirense (ouvir) - Madeira
  9. Nortenho (ouvir) - Regiões de Braga e Porto
  10. Transmontano (ouvir) Trás-os-Montes

[editar] Área geográfica

O Português Europeu é falado pelos quase 11 milhões de habitantes de Portugal e pelos emigrantes portugueses espalhados pelo mundo, juntamente com os seus descendentes. A emigração maciça que se verificou ao longo de todo o século XX, levou a que o português europeu fosse falado noutras partes do mundo, sobretudo na Europa e na América do Norte: Suíça, Alemanha, França, Luxemburgo, Reino Unido, Estados Unidos e Canadá, e também na África do Sul, Venezuela, Argentina, Austrália e no Brasil, onde se encontram também grandes comunidades portuguesas.

[editar] Ortografia

Actualmente a escrita do português europeu rege-se pelas normas do Acordo Ortográfico de 1945[10] e pelas alterações introduzidas em 1973[11]. Antes de 1945, a ortografia obedeceu a diversos diplomas, nomeadamente o do acordo luso-brasileiro de 1931[12] e o da reforma simplificadora de 1911[13]. A reforma de 1911 foi profunda, fazendo desaparecer muitas consoantes geminadas, os grupos ph, th, rh, o uso do y, além de outras particularidades.

O aspecto que mais distingue a ortografia portuguesa da brasileira é a manutenção de certas consoantes após as letras a, e e o em palavras como facto, acto, electricidade, adopção, Egipto, etc. Na palavra facto o c é justificado porque é pronunciado. Nos restantes exemplos, as consoantes, apesar de mudas, são mantidas por razões de tradição ortográfica, por questões de similaridade com as demais línguas românicas e porque podem exercer influência no timbre das vogais (leem-se as vogais antecessoras como tónicas) anteriores[14].

Em relação ao Brasil, há ainda certas diferenças na acentuação gráfica nas vogais e e o tónicas dos vocábulos proparoxítonos (esdrúxulos) que são, muitas vezes, abertas na pronúncia portuguesa e, por isso, são escritas coerentemente: milénio, ténia, económico, António. As sequências que-, qui-, gue- e gui- (em que o u é pronunciado), ao contrário do que se passa no Brasil, não levam trema desde 1945[15], ficando palavras como linguística e tranquilidade.

[editar] Gramática

[editar] Regras de acentuação

No Português Europeu, as palavras agudas ou oxítonas que terminam em -a, -e, -o, -ei, -oi, e -eu levam acento agudo: sofá, pé, ré, herói, céu, pastéis, etc.

As palavras graves ou paroxítonas de vogal aberta, ao contrário do português do Brasil, levam também o acento agudo como em bónus.

Por fim, as esdrúxulas ou proparoxítonas levam também acento agudo nas vogais abertas, como em higiénico, económico e fenómeno, que no Brasil se escrevem higiênico, econômico e fenômeno. [16]

[editar] Conjugação

No Português europeu é muito frequente o uso do infinitivo em frase de acção prolongada. Até um certo tempo atrás, a Sul do Rio Tejo, usava-se mais o gerúndio, mas com os meios de comunicação o infinitivo tornou-se mais geral em todo o país[carece de fontes?].

Estou a fazer um trabalho.

[editar] Formalidade

Na maneira de dirigir as pessoas, é mais frequente usar O Senhor, A Senhora, Você em diálogos com pessoas desconhecidas ou mais velhas. Se for para uma pessoa com licenciatura ou de alta patente militar ou política, empregam-se muitas vezes V.ª Excelência ou Sr. Doutor no caso de serem médicos (sendo também muito frequente para professores) ou ainda Sr. Engenheiro.

O senhor doutor acha que podemos resolver esta cirurgia com sucesso?

[editar] Informalidade

No aspecto informal do Português Europeu, utiliza-se sobretudo o pronome pessoal da 2ª pessoa do singular, tu, de forma subentendida ou não.

Tu és parvo.
Andas a tirar a carta de condução?

Referências

  1. Dada a falta de dados sobre o número real de falantes, põe-se número da população de Portugal e o seus emigrantes.
  2. Texto Editores[1]
  3. Lello Editores[2]
  4. A expressão (pouco rigorosa) "português lusitano" é usada sobretudo por autores brasileiros. Em Portugal, nomeadamente no seio da comunidade de linguistas e filólogos, a expressão consagrada e geralmente usada é "português europeu".
  5. Língua oficial da UE [3].
  6. CUNHA, Celso e CINTRA, Luís Filipe Lindley (1984). Nova Gramática do Português Contemporâneo. Lisboa: Edições João Sá da Costa, p. 10
  7. Funções da ACL [4]
  8. http://www.phon.ucl.ac.uk/home/sampa/portug.htm
  9. Dialectos - Instituto Camões
  10. http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog45_73.pdf Acordo ortográfico de 1945 aprovado pelo decreto n.º 35.228 de 8 de Dezembro de 1945
  11. Decreto-lei n.º 32/73 de 6 de Fevereiro
  12. Assinado pela Academia das Ciências de Lisboa e pela Academia Brasileira de Letras em 30 de Abril de 1931 e aprovada em Portugal pela portaria n.º 7.117 de 27 de Maio do mesmo ano.
  13. "Bases da Reforma de 1911", excerto do relatório publicado no Diário do Governo n.º 213 de 12 de Setembro de 1911, in A Demanda da Ortografia Portuguesa, de Ivo de Castro, Inês Duarte e Isabel Leiria, ed. Sá da Costa, 1987, pp. 152-162.
  14. http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog45_73.pdf Bases Analíticas do Acordo Ortográfico de 1945, Base VI
  15. http://orto.blogs.sapo.pt/arquivo/2005_12.html Trema
  16. Acentuação no Português Europeu [5]

[editar] Bibliografia

  • Cunha, Celso e Cintra, Lindley. Nova Grámática do Português Contemporâneo. 12.ª edição. Lisboa. Edições João Sá da Costa. 1996. ISBN 972-9230-00-5
  • Cintra, Luís Filipe Lindley. Estudos de Dialectologia Portuguesa. 2.ª edição. Lisboa. Livraria Sá da Costa Editora. 1995. ISBN 972-562-327-4
  • Teyssier, Paul. História da língua portuguesa. 6.ª edição. Lisboa. Livraria Sá da Costa Editora. 1994. ISBN 972-562-129-8

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas


Polska, Dolar, Forex


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